El Espartano

Jorge Macchi no MNBA, entrevista

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25.04.2016

O Museu Nacional de Belas Artes apresenta “A noite dos museus”, uma instalação inédita de Jorge Macchi, realizada com a colaboração da El Espartano.

Inaugurada em 15 de abril, A noite dos museus é uma instalação site-specific realizada pelo artista argentino Jorge Macchi para a sala Bemberg do Museu Nacional de Belas Artes de Buenos Aires no marco de “Perspectiva”, a primeira exposição retrospectiva do artista no país, que se realiza simultaneamente no Museu de Arte Latino-americana (MALBA) e na Universidade Torcuato Di Tella.

MNBA

Ao adentrar a sala, o espectador se encontra com um tapete de grandes dimensões sobre o qual jazem quatro spots que dão a impressão de ter caído do teto e haver se destroçado com o impacto. Curiosamente, os quatro fragmentos iluminados que teriam gerado estes spots sobre o tapete são o único que permanece visível da trama, enquanto que o resto parece ter se desvanecido, levando o espectador a refletir sobre a significação e poder materializador da luz, uma das questões centrais da obra de Macchi.

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Este tapete de uns 7 x 6 metros foi especialmente desenvolvido pela El Espartano em conjunto com o artista, após meses de pesquisa, utilizando um sofisticado sistema de tecido digital e uma vintena de cores de lã meticulosamente combinadas para conseguir os complexos efeitos de sfumato da trama.

A noite dos museus é a segunda colaboração entre a empresa e o artista, posto que em 2015 já tinham trabalhado juntos na produção de um tapete menor e com um motivo mais simples para sua mostra Lampo, que teve lugar na galeria NC-arte de Bogotá, Colômbia.

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A ideia

“Desde a elaboração do primeiro tapete para a obra Homesick home, que foi exposta em Bogotá”, nos conta Macchi, “estava tentado pela possibilidade de fazer um desenho mais complexo, que incorporasse uma cor mais, e também pela possibilidade de trabalhar um tamanho maior para incluir mais de uma mancha de luz. A sala Bemberg do Museu de Belas Artes, com sua iluminação que desenha círculos de luz nas paredes e com uma dimensão aproximada de 9 x 10 metros, pareceu-me a situação ideal para empreender este projeto de maior complexidade. Mas se em Homesick home havia uma referência muito íntima e caseira, em A noite dos museus a ideia se abre ao espaço institucional, embora sobreviva a referência a um acidente como origem das manchas de luz no tapete.”

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O desenho

“Sempre gostei dessas tramas que se assemelham a cubos superpostos: é obviamente uma textura visual, mas ao mesmo tempo, cria uma ilusão espacial. A escolha do vermelho e do negro me permitia trabalhar com duas gradações de cores diferentes para cada caso: o negro impõe uma gradação mais abrupta que a gradação do vermelho para alcançar a cor natural da lã.”

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O processo

“O processo de elaboração desta segunda peça foi radicalmente diferente do primeiro tapete que fiz com a El Espartano”, explica Macchi. “Naquele caso, a técnica foi manual e teve os defeitos e as virtudes da manufatura. Esta peça, ao contrário, foi pensada desde o princípio para ser feita de maneira automatizada a partir de um arquivo digital. Então tivemos que fazer muitos testes, principalmente com o afã de eliminar saltos na gradação das cores. Outro ponto difícil desta segunda versão foi a impossibilidade de vê-la totalmente armada antes da colocação no museu: devido a suas dimensões, o tapete foi feito em três partes que depois foram unidas na sala. Este projeto me impulsa a seguir trabalhando neste suporte no sentido de continuar complexificando o motivo, sobretudo com a inclusão de mais cores.”

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A mostra

“Em sua intervenção, a irrupção do inesperado altera a ordem habitual do Museu”, explica Andrés Duprat, Diretor do MNBA. “A questão em A noite dos museus – inquietante título que remete a um tempo pouco usual nesse tipo de lugares – é a luz, sua percepção e seu poder de codificação das imagens, que opera na economia visual de Macchi para apresentar o visível como real.”

“A instalação possui algo de ficção cinematográfica: é uma cena já começada e, inclusive, poderíamos dizer, concluída. O importante, o que funda a trama e concede sentidos aos eventos que teriam ocorrido na sala, já aconteceu, e não teve testemunhas. Os espectadores chegam tarde e devem se contentar com as consequências do ato central. Como nos bons filmes, Macchi evita o momento do clímax; sabe que um sutil corrimento que suscite nossa imaginação potencializa a cena ao infinito. Nada mais incitante que o sugerido, o sutilmente percebido.”

“A noite dos museus” será exibido na sala 27 do Museu Nacional de Belas Artes (Av. del Libertador 1473, Buenos Aires) e poderá ser visto até 31 de julho. Entrada livre e gratuita.

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