El Espartano

Entrevista: “Homesick Home”, por Jorge Macchi

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19.11.2015

O artista visual Jorge Macchi apresentou, na Colômbia, “Homesick home”: uma instalação realizada em colaboração com a El Espartano.

No passado 3 de outubro, na galeria NC-arte de Bogotá, foi inaugurado Lampo: um projeto site-specific composto por duas instalações nas quais o artista argentino explora as possibilidades de materializar a luz. À rigidez da estrutura de madeira de “Gloria”, a primeira obra acessível ao público, Macchi contrapõe o caráter macio do tapete criado junto à El Espartano, que se exibe na segunda sala. Conseguir naturalidade no efeito do esfumado presente no desenho exigiu vários testes de tintura. Dez tons diferentes de fibras compõem a escala de cinzas desejada nesta Alexa tecida a mão mediante a técnica hand-tufting.

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Lampo, do latim lampāre, faz referência a resplendor fugaz. Perguntar-se pela ausência, pelo que fica de algo quando já não está, é uma constante na obra de Macchi. Em “Homesick home” a suavidade do tapete contrasta com a dureza metálica de uma lâmpada que, mesmo estando apagada sobre ele, torna visível a passagem da luz. Sua pegada nos induz a refletir sobre sua condição; sobre se essa iluminação se trata de um resto do passado ou de um desejo do presente. Ou, quiçá essa lâmpada nunca tenha se acendido.

Qualquer que seja a resposta, a verdade é que as obras de Macchi nos submergem em uma nostalgia feliz, onde convivem em harmônica contradição temporalidades e materiais diversos.
Na entrevista a seguir, o artista visual nos conta por que decidiu trabalhar com um tapete e o que foi que descobriu no processo.

Como foi o processo de produção?

Alexandra Kehayoglou, quem conheci por meio de minha assistente, Irina Kirchuk, conectou-me com a El Espartano. Na primeira reunião mostrei um esboço muito mais complicado do que o trabalho que finalmente realizamos. Decidimos começar com um projeto mais simples para ver com que problemas nos encontrávamos no caminho. Foi assim que optamos por trabalhar com uma escala de aproximadamente 10 tons de cinza na cor natural da lã. A maior dificuldade deste trabalho foi conseguir uma passagem gradual do negro à cor natural escolhida, respeitando a forma oblonga da mancha “luminosa”. Isso é algo que como pintor posso fazer com relativa facilidade, mas tecer a superposição da trama em ziguezague com a paulatina desaparição do negro foi um árduo trabalho de tentativa e erro.

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Que características específicas do tapete representam o que você quer transmitir com a instalação?

Para mim era muito importante que o efeito de iluminação fizesse parte intrínseca ou orgânica do tapete. Para isso necessitava que o tapete nascesse com o efeito, que fosse tingido com esse efeito. Assim surgem uma série de tempos contraditórios na peça: o momento do acidente que faz a lâmpada cair em cima do tapete e o efeito luminoso que parece estar desde antes do acidente. Gosto de pensar que o efeito de iluminação é um fantasma encarnado no tapete.

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É fugaz como um lampejo a passagem da luz sobre o tapete, a percepção ou o tempo?

Tanto em “Gloria” como em “Homesick home” há um momento fugaz de resplendor. A consequência dessa ação se transforma em estrutura ou em efeito ótico tecido em um tapete. Eu encontro similitudes com o efeito que faz permanecer na pupila um objeto luminoso mesmo quando as pálpebras estão fechadas. A diferença é que nesse caso o efeito é passageiro e nas duas obras, permanente.

Homesick Home, por Jorge Macchi from El Espartano on Vimeo.

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